sábado, 5 de novembro de 2011

FORTE CHUVA DE FINAL DE TARDE

Impressionava-se com o vazio que enchia sua alma sob a forte chuva de final de tarde; aquela tarde escura pesava-lhe sobre os ombros; era como se tivesse que carregá-la para o resto de sua vida e isso a torturava. O vento batia forte em seu corpo e as gotas caiam como se quisessem machucá-la. Olhava para todos os lados e não via uma saída, não via para onde fugir. Fechava os olhos ao notar que raios enfeitavam o céu e como se adivinhasse o que iria acontecer, tapava os ouvidos prevendo um forte estrondo, que viria a ser um trovão, mas para ela mais parecia uma reclamação Daquele lá de cima. Pensou logo no que poderia ter feito de errado e pôs-se a pedir desculpas. Agora todas as forças da natureza revoltada, sabia-se lá porque ou por quem, descontava toda sua fúria nela; nela que naquele momento era a preza mais fácil e sem defesa. Quis gritar; quis correr; quis sumir, mas era impossível, pois as saídas pareciam não existir.
Tão preocupada com a forte chuva, que mais parecia uma tempestade, esquecera de interrogar-se como havia ido parar ali e onde era aquele ali? Mudara. Já não era aquela do inicio de alma vazia, mas agora era aquela de alma cheia de inquietações. O que antes era escuro; agora era treva, já nem os raios iluminavam seu caminho; já não ouvia o estrondo e tudo parecia sumir a sua volta, menos o forte vento e as fortes gostas que caíam sobre seu corpo frágil e sem proteção. Girava, girava, girava. Tentava abrir os olhos na esperança de ver uma saída, mas os olhos já estavam abertos e nada via ao seu redor. Era como se tivesse perdido a audição, a visão, o olfato; tristemente ainda restava-lhe o tato que fazia sentir o peso violento das gostas e o forte frio que o vento soprava.
Onde, por que e para que estava ali? Já quase enlouquecida tornou a girar e ao tentar encontrar uma solução para aquela tempestade em que se encontrava caiu e apagou...
...
...
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Abriu os olhos e sua visão tornou. Já não era treva e sim luz, já não era uma tarde de forte chuva, mas uma manhã de belo sol. Já não era trovão e sim belos pássaros cantando como se festejassem sua vitória. Percebera que nunca houve tempestade alguma, que nunca tinha saído de sua cama. Não era revolta da natureza; era inquietação de sua alma. 

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